A última tendência em wayfinding

Data

18/03/2016

Nos acostumamos a ver o mundo sempre em movimento, enchendo os nossos olhos com o que é há de novo em produtos, serviços e comportamento. Mas um dia o novo vira velho e passamos a rir dele, chamá-lo de peça de museu e voltar os nossos olhos para a nova moda, tendência ou modismo. Há diferenças entre esses termos, das quais não vamos nos ocupar agora, mas todos eles tem em comum sua efemeridade. Sem julgar se essa é uma característica boa ou ruim, cabe pensar em quando ela pode contribuir com um projeto.

Schopenhauer, com seu jeito ranzinza de filosofar, já dizia em pleno século XIX que “em quase todos os tempos, tanto na arte quanto na literatura, entra em voga e é admirada alguma noção fundamental falsa, ou um modo falso de se expressar, ou um maneirismo qualquer.” Se Schopenhauer tivesse escrito os seus ensaios no século XXI, é possível que ele teria completado seu pensamento com o que disse Deyan Sudjic, diretor do Design Museum, em Londres: “e o monstro da moda, não satisfeito em cravar suas garras na arte e na arquitetura, deu outra bocada e engoliu o design inteiro.”

É verdade que o design está cercado por questões efêmeras. Antes de rejeitá-las é preciso saber lidar com elas. Quanto tempo você quer que dure o conceito de um projeto? 

Em Wayfinding Design, lidamos com projetos que geralmente demandam perenidade. Nesses casos, deve-se estar atento ao que há de novo em termos de tecnologia, estudos e tendências, mas deve-se estar consciente, ainda na etapa de geração de alternativas, de que modismos estão fora de questão. Tenho certeza de que você já viu algo e pensou que “tem cara de anos 80”. Isso é totalmente aceitável se for uma capa de disco de uma banda pop dos anos 80, por exemplo, mas imagine “essa cara” no seu  local de trabalho todos os dias, ou no condomínio onde você mora.

Para mostrar que o Wafinding Design não é uma ilha fora de moda, cito um caso em que a efemeridade foi utilizada com sucesso, chamado “Last Mile Olympic Signage”. Este projeto de wayfinding desenvolvido para os jogos olímpicos de Londres pelo  escritório Jedco, faz uso de uma tendência que apareceu com força na década de 2010 chamada low-poly. Toda a sinalização foi removida 14 dias após o término do evento, antes que o conceito perdesse a sua validade.

Ao contrário do exemplo citado, um projeto de wayfinding que mascara sua ineficácia utilizando recursos visuais que estão na moda são como uma mentira contada. Quando passar a moda, a verdade é revelada e a maquiagem cai, como disse Schopenhauer, “como um reboco malfeito cai de uma parede com ele revestida”.

Citações:
Deyan Sudjic: A linguagem das coisas, Intrínsica, 2010.
Arthur Schopenhauer: A arte de escrever, L&PM, 2014.

Imagem destaque modificada a partir de:
mandiberg via VisualHunt.com / CC BY-SA


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