Como a sinalização pode transformar o ambiente

Data

08/04/2016

O texto a seguir foi escrito a convite da Flex Sinalização modular e publicado no blog da empresa. Clique aqui para ver a publicação original.

Parques, edifícios comerciais, hospitais e aeroportos não são construídos com a intenção de serem utilizados como cenários de filmes. Um aeroporto pode se tornar um cenário com alguma adaptação, mas um cenário não pode ser um aeroporto. Um filme apenas cenográfico aborrece os espectadores e uma construção sem uso vira ruína. Cenografia e arquitetura não existem para elas mesmas, elas precisam de seus personagens, mas diferentemente do que acontece em um filme, os personagens que fazem uso da arquitetura não recebem um roteiro para decorá-lo antes de começar a prática. Ou seja, circular por um ambiente não é como atuar em um filme. É como o jazz. Conhecemos o tema principal mas, no decorrer da música, temos de improvisar nos comunicando com a banda a cada nota, a cada olhar, a cada movimento.

A arquitetura deve comunicar-se conosco como o jazzista o faria. Mas ela não se move, não emite sons, não fala. Por isso, o arquiteto prevê, enquanto ainda está concebendo o seu projeto, a atuação de um projeto de sinalização. Assim, ele assegura que problemas complexos de circulação, como elevadores que não atendem a todos os pavimentos ou áreas de pouca visibilidade para motoristas, não sejam um obstáculo para o usuário. Um local bem sinalizado passa a ter voz, aumentando sua compreensão por parte das pessoas.

As transformações estéticas promovidas pela sinalização são bastante evidentes e por isso devem ser feitas por profissionais qualificados. Placas, totens, pórticos, letreiros e adesivos são tão importantes quanto o sofá, a mesa e a luminária a serem escolhidos na composição de um ambiente. Ao mesmo tempo, a sinalização tem a função extra de transmitir valores subjetivos buscando atingir um público específico. Ela é uma importante ferramenta de branding, podendo expressar conceitualmente uma marca através do design gráfico.

Acreditamos que a verdadeira transformação que a sinalização promove no ambiente não é estética, e sim comportamental, na maneira como as pessoas se relacionam com esse lugar. Com muito pouco já se pode criar uma situação na qual o público confie no espaço pelo qual circula, sem medo de perder-se ou de se confundir com informações imprecisas. Com um pouco mais, esse público pode querer passar mais tempo nesse local, sabendo que tudo o que ele precisa será de fácil acesso. Dependendo do caso, as pessoas podem até mesmo ir a determinado ponto em virtude da sinalização. Quem iria ao Mount Lee se não houvesse o letreiro “HOLLYWOOD”?

A implantação de um sistema de sinalização também pode provocar mudanças culturais. Devido a um elemento de sinalização as pessoas podem, por exemplo, parar de fumar perto de uma janela que recebe toda a fumaça gerada; alongar-se corretamente antes de utilizar um aparelho de ginástica; conhecer setores pelos seus nomes e guiar-se através deles; utilizar mais a escada, fazendo um pequeno exercício benéfico ao coração enquanto deixam livre o elevador para as pessoas que necessitam dele, entre outras possibilidades. Com sinalização acessível, essas mudanças multiplicam-se ainda mais.

Vale mencionar que a sinalização não compensa as circunstâncias em que a arquitetura não está totalmente adequada. Visto por esse ângulo, um projeto de sinalização não transforma o ambiente, porém o reforça e o complementa. Um acesso que não parece um acesso pode até ser mais bem compreendido depois do trabalho da equipe de sinalização, mas ela nunca vai poder corrigir um acesso que parece um armário ou que não é visto de lado nenhum. Por isso, a sinalização não deve ser encarada como a cereja que finaliza o bolo. Deve ser entendida como uma das camadas do recheio: digna de nota, porém apenas parte de um conjunto maior.

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