Em movimento

Data

18/05/2016

Elementos de sinalização são projetados para funcionarem em locais específicos, e a definição desses locais faz parte do wayfinding design. Seria correto afirmar que placas ambulantes seriam outra coisa que não wayfinding? O movimento das placas poderia ser relativizado por um físico ou mesmo ter sua existência questionada por um filósofo pré-socrático, mas estamos falando de placas que se movem, da maneira que entendemos, desordenadamente e de um lado para outro. Estamos falando das placas de automóveis.

Começando a análise pelo óbvio, as placas de automóveis possuem uma função identificativa, exclusiva para cada automóvel. Por meio de uma codificação extensa que, para o dono do carro, não diz nada além de “este é o meu carro”, essas placas informam às autoridades de trânsito aspectos como o modelo do carro, o ano e o local de fabricação, a cor, o fabricante ou, ainda, sua classificação quanto a um veículo particular, diplomático, de autoescola, entre outros quesitos que variam em cada país.

Se faltam argumentos para enquadrá-las em wayfinding, que tal pensá-las como um tipo diferente de placas informativas de setor? O /STUDIOMDA surgiu em um Estado do Brasil que faz fronteira com outros dois países. É comum vermos carros vindos da Argentina, do Uruguai e até mesmo do Chile nas nossas estradas. Para saber que esses carros são provenientes de outro “setor” não é preciso conhecer os códigos alfanuméricos: os padrões estéticos das placas são característicos de seus países e assumem o papel de bandeira em território internacional.

Mas o que acontece com os padrões internacionais de placa, como aqueles adotados na União Europeia e, recentemente, no Mercosul? Nesse caso, as placas não seriam também uma ferramenta de branding? Os padrões de placa dos referidos blocos comerciais ostentam seus respectivos desenhos de marca onde quer que vão. Além disso, uma unificação desta natureza também implica mudanças culturais, uma característica do wayfinding design que enfatizamos frequentemente. Os países aproximam-se politicamente, conversam para encontrar soluções conjuntas para problemas em comum, a sensação de diferença entre as populações diminui, a opinião popular se divide entre os que são a favor e os que são contra a unificação, os trâmites nas aduanas ficam mais rápidos e talvez ocorram ainda outras mudanças que sequer imaginamos.

Se tudo isso não for suficiente para que as placas de automóveis sejam tomadas como exemplo de wayfinding, ainda há outros fatores, tais como o desenvolvimento de tipografias específicas para esta finalidade, as mudanças de materiais ao longo do tempo para melhor adequá-las à utilização e a adoção das dimensões mais indicadas para a leitura a distância.

Sabemos que é cada vez mais difícil traçar uma fronteira entre algumas áreas de atuação e entendemos que a própria existência desse tipo de limite é questionável. Talvez os físicos também relativizariam o conceito de wayfinding e os filósofos questionariam a sua existência, como ocorreu com o conceito de movimento. Enquanto isso, no entanto, cabe a nós pensarmos qual é a contribuição que poderíamos dar em cada área que aparentemente não está ao nosso alcance.

BÉLGICA