Os pais dos pictogramas

Data

22/06/2015

Existem coisas tão corriqueiras que pouco nos questionamos sobre sua origem. Nós, designers de Wayfinding, aceitamos a ideia de uma linguagem internacional de pictogramas, mas como isso pode ter surgido?

Nos anos 20, o sociólogo e economista austríaco Otto Neurath deu início aos seus estudos sobre linguagem pictórica. Notava que as ciências sociais precisariam ser muito mais objetivas para serem melhor compreendidas, como eram as exatas. Com isso em mente, desenvolveu a ideia do que veio a ser conhecido como Isotype. Essa seria uma linguagem auxiliar formada por signos gráficos que romperiam barreiras culturais e de idioma, auxiliando na compreensão de dados e estatísticas por parte da população.

Por não ser artista, Neurath convidou Gerd Arntz, em 1928, para desenvolver a linguagem visual idealizada. A escolha de Arntz é totalmente justificada pelo seu estilo de ilustração altamente sintético. A equipe do Isotype era composta por 25 pessoas dividas em três grupos: os coletores de informação, responsáveis pela pesquisa; os transformadores, espécie de editores de conteúdo; e finalmente, os artistas gráficos. O resultado deste trabalho agradou tanto que veio a ser incorporado como sistema padrão de informação pelo estado soviético.

A comunicação através de pictogramas serviu perfeitamente para os sistemas de Wayfinding desenvolvidos a partir dos anos 60, mas foi a partir dos 70 que ela foi mais difundida. Isso aconteceu devido a um pedido do Department of Transportation (DOT) dos Estados Unidos ao American Institute of Graphic Arts (AIGA) de desenvolver um grupo de símbolos internacionalmente eficiente para os meios de transporte. O sistema desenvolvido foi aceito, ampliado e hoje faz parte do cotidiano de milhares de pessoas.

Mais informações:
“Otto Neurath e o legado do ISOTYPE” no artigo de Ricardo Cunha Lima (em português)
Site do AIGA onde está disponível para download os pictogramas do sistema AIGA/DOT (em inglês): clique aqui

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